Jaime Lerner explica qualidade de vida numa metrópole
Sou paulistana, vivo em São Paulo, e cresci observando e acompanhando as revoluções que o arquiteto e urbanista Jaime Lerner promovia em Curitiba, cidade em que era Prefeito. Minha mãe, publicitária, ia muito ao Paraná para reuniões com um de seus maiores clientes ( Banco Bamerindus) e voltava fascinada com a cidade e com a tal ” qualidade de vida urbana” , coisa que desconhecíamos em São Paulo.
Minha mãe dizia que em Curitiba vivenciava nas ruas , no trânsito e na satisfação dos habitantes com a qualidade de vida , o que era viver numa cidade e servir-se dela. E tudo era obra de Jaime Lerner, um prefeito perfeito.
Cresci admirando Jaime Lerner e sonhando com o binômio metrópole-qualidade de vida. Anos mais tarde, sempre paulistana ( com períodos morando em Boston, Washington e Nova Iorque) conheci Jaime Lerner e minha admiração aumentou. Ele é fascinante. Conhece os problemas e tem as soluções. Trata as questões de forma estratégica e combina cidade e vida de forma única. Porque ele sabe que são únicos. Jaime Lerner é sensacional! Considero-o a solução para o país.
É… Jaime Lerner é meu sinônimo de solução.
Na Veja desta semana Okky de Souza conversou com Jaime lerner sobre cidades e sobre viver nelas. Reproduzo a seguir alguns trechos. Fascinante.
O trânsito nas grandes cidades brasileiras é cada vez mais caótico. O que fazer para melhorá-lo?
A mobilidade é hoje o grande problema em todas as cidades do mundo. Um dos maiores equívocos que se cometem ao discuti-la é a polarização entre o automóvel e o metrô. Com a multiplicação da frota de carros, os governantes investem em grandes obras viárias que apenas levam de um congestionamento a outro. Ah, então a solução é o metrô, dizem. Mas o metrô que existe no imaginário das pessoas é o de Londres, Paris ou Nova York. Eles foram construídos há mais de 100 anos, quando era mais barato trabalhar no subsolo. A operação do metrô precisa ser subsidiada. O dinheiro do subsídio vai fazer falta em outros setores da administração. Construir uma linha leva vinte anos. Para melhorar o transporte público de superfície bastam dois anos. A cidade não é tão complexa quanto os vendedores de complexidade querem nos fazer acreditar.
O que fazer para melhorar a qualidade de vida nas cidades?
Minha imagem de qualidade de vida numa metrópole é a tartaruga. Ela tem o abrigo, o trabalho e o movimento juntos, no mesmo espaço. Se você cortar o casco da tartaruga, vai matá-la. É exatamente isso que estamos fazendo com nossas cidades: morar num bairro, trabalhar em outro e buscar o lazer num terceiro. Gasta-se energia desnecessariamente. Por que gostamos das cidades europeias? Porque as funções estão mais integradas.
Como resolver a questão das áreas centrais degradadas, como as de São Paulo?
Ninguém quer morar na região da Luz, em São Paulo, porque de dia o bairro tem vida, mas de noite vira a cracolândia. Quando a solução não está no espaço, está no tempo. Por que não deixar os vendedores ambulantes trabalhar depois das 6 e nos fins de semana? Para isso temos o projeto das ruas portáteis, módulos projetados para abrigar o comércio ao ar livre. Os módulos são instalados na sexta-feira à noite e recolhidos na segunda-feira de manhã. Ao se promover o movimento constante de pessoas numa região, ela fica mais segura. Isso evita que, para revitalizar áreas, seja necessário desapropriar prédios, um processo demorado e caro. Quando se quer um projeto criativo, deve-se cortar um zero de seu orçamento.
|Leia a íntegra da entrevista à Okky de Souza na Veja de 15/04/2009. ( Via Veja )
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O prefeito daqui de Niterói contratou o Lerner para tentar resolver o trânsito da cidade que está bizarro. Minha cidade é pequena pro número de pessoas e carros que tem crescido muito e, consequentemente, o trânsito tem ficado insuportável. Espero, de veradade, que ele dê um jeito - embora ache que o problema é muito maior, já que a especulação imobiliária e as empresas de ônibus são quem mandam na cidade.
Jaime é a solução com certeza.
Um beijo Yê